Governo avalia proposta de reconstrução após cheias apresentada pelo ANAMOLA

 O Governo moçambicano confirmou que está a analisar o plano de reconstrução pós‑cheias submetido pelo partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA). A informação foi comunicada através de um ofício do Gabinete da Primeira‑Ministra enviado à formação política.

De acordo com o documento oficial, datado de 26 de Fevereiro de 2026, a proposta apresentada pelo partido encontra‑se actualmente em fase de apreciação pelas instituições competentes.

“A contribuição apresentada está a ser analisada pelas entidades relevantes”, refere a comunicação enviada pelo Gabinete da Primeira‑Ministra, Benvinda Levi.




Proposta foi entregue em Fevereiro

O plano de reconstrução foi submetido ao Executivo no dia 4 de Fevereiro, após os danos causados pelas cheias que afectaram várias regiões do país.

Em reacção à resposta do Governo, o presidente do ANAMOLA, Venâncio Mondlane, agradeceu a abertura demonstrada pelas autoridades para analisar o documento.

Segundo Mondlane, a disposição do Governo para avaliar a proposta demonstra espírito de cooperação e solidariedade em relação às comunidades afectadas pelas inundações.

O líder político afirmou ainda que houve dificuldades durante o processo de entrega da proposta, alegando que bloqueios policiais teriam dificultado o acesso para a submissão do documento.

Plano avaliado em 1,6 mil milhões de dólares

O projecto apresentado pelo ANAMOLA prevê um plano de reconstrução avaliado em cerca de 1,6 mil milhões de dólares e com duração estimada de três anos.

A proposta inclui intervenções em diferentes sectores considerados prioritários para a recuperação das zonas afectadas pelas cheias, entre eles:

  • construção de habitações mais resilientes
  • reforço das infraestruturas de saúde
  • recuperação da agricultura
  • melhoria da rede de transportes
  • investimento na educação
  • gestão de recursos hídricos

Segundo os proponentes, o objectivo é promover uma recuperação sustentável e reduzir os impactos de futuros desastres naturais.

Financiamento interno como alternativa

Um dos principais pontos do plano é a aposta na mobilização de recursos internos para financiar grande parte da reconstrução.

De acordo com Venâncio Mondlane, cerca de 90% do financiamento necessário poderia ser obtido dentro do próprio país, reduzindo a dependência de ajuda externa.

Entre as fontes de financiamento sugeridas estão:

  • receitas provenientes da exploração mineira e petrolífera
  • receitas de portagens
  • créditos de carbono e títulos climáticos
  • criação de um imposto temporário sobre produtos de luxo

Segundo as estimativas apresentadas, apenas as receitas do sector mineiro e petrolífero poderiam gerar entre 285 e 390 milhões de dólares para apoiar o programa de reconstrução.

Outras medidas propostas incluem uma contribuição temporária sobre bens considerados de luxo, como veículos de alta cilindrada, jóias e diamantes.

Desafio da reconstrução

Moçambique tem enfrentado nos últimos anos vários eventos climáticos extremos, incluindo ciclones e inundações que provocam danos significativos em infraestruturas e comunidades.

Especialistas defendem que os planos de reconstrução devem combinar investimentos imediatos com estratégias de longo prazo que aumentem a resiliência das populações face às mudanças climáticas.

A análise do plano apresentado pelo ANAMOLA poderá contribuir para o debate sobre novas formas de financiamento e gestão de crises naturais no país.

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