Combustível em Moçambique: Governo Garante Stocks mas Admite Falhas na Distribuição

 

O Governo de Moçambique veio a público esclarecer a situação de abastecimento de combustível no país, num momento em que muitos cidadãos, sobretudo na Cidade de Maputo, têm enfrentado dificuldades para abastecer os seus veículos. A nota oficial reconhece a existência de combustível nos principais terminais nacionais, mas aponta um conjunto de falhas na cadeia de distribuição que explicam a escassez sentida nos postos.


O que está a acontecer?

Segundo o Governo, a raiz do problema está em vários factores combinados. Por um lado, a corrida em massa aos postos de abastecimento — alimentada por informações falsas que circularam nas redes sociais sobre um suposto esgotamento de stocks — gerou uma procura artificial que excedeu a capacidade de resposta do sistema. Por outro lado, algumas empresas distribuidoras encontram-se descapitalizadas, sem condições financeiras para adquirir combustível nos portos nem para obter as necessárias garantias bancárias em dólares.

A situação é agravada por fortes indícios de açambarcamento, actualmente sob investigação das autoridades competentes. As equipas de fiscalização já detectaram casos de postos de abastecimento que levantavam determinada quantidade de combustível nos terminais, mas que apenas registavam metade desse volume nos seus próprios tanques — uma irregularidade que está a ser investigada.

Contexto Internacional

O pano de fundo desta crise é a instabilidade no Médio Oriente, que se prolonga há cerca de dois meses e resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde transita mais de 20% do comércio global, com grande destaque para os combustíveis. Esta situação perturbou as cadeias de fornecimento a nível mundial, provocando a subida dos preços internacionais e afectando particularmente os países que, como Moçambique, são importadores de combustíveis fósseis.

Por ora, o país ainda beneficia dos stocks adquiridos antes do agravamento da crise, o que tem permitido manter os preços actuais. No entanto, o Governo já adianta que uma actualização dos preços dos combustíveis é esperada entre o final de Abril e o início de Maio, uma vez que as próximas importações serão feitas a preços internacionais mais elevados.

Medidas Tomadas

Para normalizar o abastecimento, o Governo tomou um conjunto de medidas de emergência, entre as quais se destacam a autorização para que os postos adquiram combustível sem contrato prévio com um distribuidor específico, a extensão do prazo de validade das garantias bancárias para reforçar a liquidez das distribuidoras, e a proibição temporária da reexportação de combustíveis — salvaguardando, contudo, o abastecimento habitual dos países vizinhos como a África do Sul, que abastece as províncias de Mpumalanga e Limpopo a partir do Porto de Maputo.

O Apelo do Governo

O executivo moçambicano apelou à população para que encare com calma o que classifica de "novo normal", sugerindo medidas como a racionalização no uso do combustível, a opção pelo transporte público e, sempre que possível, a adopção do trabalho remoto. O Governo reafirmou o compromisso de continuar a proteger as famílias e a economia nacional face à instabilidade externa.

 

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